Archive for the ‘Dr. Kartoon’ Category

Dr. Kartoon nas Festas do Bodo

Quinta-feira, Julho 24th, 2008

A partir de hoje 5feira (24 Julho) até à próxima 2feira (28 Julho) a Dr. Kartoon vai estar nas Festas do Bodo em Pombal numa mini-feira de Banda Desenhada, onde poderão encontrar livros desde 2€.
A livraria durante este período continuará aberta no horário normal.

Concurso de Banda Desenhada

Terça-feira, Abril 1st, 2008

O Magazine de Artes de Coimbra e Afins (MACA) e a livraria Dr. Kartoon organizam um concurso de Banda Desenhada direccionado a todas as pessoas sem qualquer limite de idade e de nacionalidade. O tema é livre, mas é obrigatório uma referência gráfica à cidade de Coimbra .

Para mais informações e consultar o regulamento em formato .pdf, clicar aqui.

Máscaras

Quinta-feira, Agosto 16th, 2007

Navegar entre destroços, na busca de um sentido que defina, descodifique, o presente. Mas que se esconde em memórias pouco fiáveis, aparências, símbolos, pesadelos, percursos repetido numa espiral que aperta até forçar alguma resolução. Esse tem sido o mote das colaborações em banda desenhada entre Neil Gaiman e Dave McKean. Mas talvez haja um modo mais simples de as definir. O verdadeiro fio condutor é a iminência da morte, entendida enquanto aquilo que dá sentido à vida. Em Signal to Noise (1989-92) um cineasta (inspirado em Andrei Tarkovski) defronta-se com a sua própria mortalidade, tentando ordenar as memórias de si para os que ficam. Em Violent Cases (1987) e Mr Punch (1994) os protagonistas confrontam-se com a morte da memória, das referências, violências e medos que povoaram as respectivas influências; confrontam-se com a necessidade de emergir e, como diz o protagonista no final de Mr Punch, irem viver a sua vida.

Mr Punch

Mr Punch é uma evolução de Violent Cases, mais pelo tom do que pelo facto de terem (aparentemente) o mesmo jovem protagonista, a mesma voz (auto) biográfica. Em Violent Cases a memória tem um toque de exotismo e aventura, na forma de um possível osteopata de Al Capone, em Mr Punch o ambiente é marcado pelo espectáculo de fantoches de Punch e Judy, quase intradutivelmente britânico. Se em Violent Cases a família é feita de pouco mais do que um espectro bidimensional, em Mr Punch há o cuidado de nutrir cada fantasma, insuflar-lhe uma corporalidade que só a descrição detalhada da velhice, decadência e morte parecem conceder. Violent Cases pode ter gangsters, mas morre-se mais, e mais cruelmente, em Mr Punch. Sobretudo porque morrem mais mundos, não só os da família, mas os de antigas feiras e parques de divers›es que já ninguém visita, espectáculos que já não se procuram, deuses que já não são adorados.

Para além da sensação permanente de perda que emana de todas as suas histórias, como argumentista Neil Gaiman recore muita à sugestão fragmentada. Apesar de uma linha narrativa clara, há sempre a ideia de que o que se vê é apenas uma parte da superfície, que a história permanece incompleta; pedaços cruciais de verdade escondidos em pormenores subentendidos, a que o leitor terá de dar significado, já que as personagens ajudam pouco. A interpretação nem sempre é óbvia, e, mesmo quando o é, até que ponto se pode confiar em memórias de um rapaz sugestionável, quando o adulto em que se tornou recorda com facilidade apenas as vers›es envelhecidas dessas mesmas memórias? É certo que a subtileza de Gaiman é muito trabalhada, mas, e em relação a Violent Cases, Mr Punch evoluiu também (ou sobretudo) por via do trabalho gráfico de Dave McKean. De resto, e apesar do nome de Gaiman, é muito provável que a maioria dos folheadores de livraria aprecie pela primeira vez este livro como um delírio visual em estado puro, pouco se importando com as subtilezas de uma história impossível de captar durante a hipnose inicial. Talvez nem reparem que o livro é de banda desenhada. Aliás, foi por isso mesmo que se começou por discutir o argumento.

Mr Punch

Fazendo a devida vénia a Peter Greenaway, McKean interpreta a narrativa de Gaiman mesclando desenho e colagens dos mais diversos objectos e materiais. Se por vezes as suas soluções arriscam alguma cacofonia gráfica, as lições de depuração cultivadas na sua obra pessoal Cages, bem como uma planificação quase sempre convencional, permitem um equilíbrio que chega a ser brilhante na sua envolvência. A melancolia das conversas com os avós, por exemplo é dada pelo desenho ascético, angular, e, nessa perspectiva, é aquele passado, por ténue que seja na memória do protagonista, que tem a clareza do “real”. Por outro lado, são os sonhos, os medos e as memórias (mas apenas as memórias indirectas, a necessitar de interpretação), que despoletam o uso aberto de outras soluções gráficas. Fotografias marcam os relatos de familiares no “presente”, as paisagens galesas por onde andou o avô (embora este surja como um gigantone); o protagonista desenhado passa a fotografia distorcida quando sonha. Mas há um pretexto muito mais óbvio para as colagens de McKean; o próprio espectáculo bonecreiro de Punch e Judy, apresentado com fantoches “reais”. A história da peça infantil é uma espécie de (mau) conto de fadas clássico, no sentido em que se trata de uma versão que se desconfia não ser apropriada para o público a que se destina. Punch é um ser amoral, destinado a repetir ciclicamente os seus crimes sem castigo, matando, com desenvoltura e ironia, desde o filho bebé até ao Diabo. A violência do espectáculo de fantoches não é, como é óbvio, fortuita. Contrasta com outras violências, das que não se podem resolver poisando bonecos até à próxima actuação. Como o exílio familiar do protagonista, ou a (suposta?) criança indesejada da falsa sereia, ou o estranho destino do tio corcunda. Cada uma dessas histórias a correr o risco de se repetir, até que o tempo as pare, ou as personagens decidam viver outras partes das suas vidas. Mr Punch tem como título completo A trágica comédia ou cómica tragédia de Mr Punch. Como se depreende acima, é todo um programa. Um livro ideal para seduzir quem nunca lê banda desenhada.

(A trágica comédia ou cómica tragédia de Mr Punch. Argumento de Neil Gaiman, desenhos de Dave McKean. VitaminaBD. 82 pp. 19,90 Euros.)

Artigo escrito por: João Ramalho Santos

Dois Franceses no Quebeque

Terça-feira, Agosto 7th, 2007

Uma das principais diferenças entre a Banda desenhada franco-belga e os comics americanos, reside na forma diversa como os desenhadores trabalham. Nos comics das grandes editoras o mais habitual é haver uma clara separação de tarefas, com um argumentista, um desenhador para o lápis e outro para a arte-final (passagem a tinta), um colorista, um responsável pela legendagem, muitas vezes com cada um numa cidade diferente, cabendo ao editor coordenar toda essa gente. Já na BD franco belga, a regra é ser o desenhador a assegurar o desenho a lápis, a passagem a tinta e muitas vezes a cor, quando não escreve também o argumento…

Claro que, para cada regra há sempre excepções. Basta pensar num americano como Frank Miller, que escreve, desenha e legenda as suas histórias de “Sin City”, ou nos europeus Hergé e Hugo Pratt, que tinham assistentes que asseguravam as partes mais morosas do desenho, como os cenários, ou as máquinas.

Armazém Central: Marie

Esta (longa) introdução vem a propósito de “Armazém Central”, uma trilogia que reúne dois veteranos da BD francesa, Loisel e Tripp, numa colaboração “à americana”, de que as Edições Asa lançaram há poucos meses o primeiro volume, “Marie”. Se Loisel dispensa apresentações para os leitores portugueses que acompanharam o seu trabalho em “Peter Pan” e “Em Busca do Pássaro do Tempo”,  já Tripp, apesar de uma carreira de quase 30 anos é praticamente desconhecido em Portugal, onde nunca foi publicado.

Na origem desta colaboração em moldes poucos habituais para a BD franco-belga, está o facto dos dois autores partilharem o mesmo atellier em Montreal, no Canadá, o que lhes permitiu descobrir que eram complementares, ou nas palavras de Tripp, que “um desenhador virtual, que fosse uma mistura dos dois, desenharia com muito mais prazer, sem esforço”. Com efeito, Loisel adora o desenho a lápis e aborrece-se mortalmente na fase de passar a tinta, enquanto que Tripp é exactamente ao contrário e, ao conseguirem que cada um faça apenas aquilo que mais gosta, conseguem produzir a um ritmo nada habitual no mercado francês, de tal modo que em pouco mais de um ano já foram publicados os dois primeiros álbuns desta trilogia passada em Notre-Dame-des-Lacs, uma aldeia perdida no Quebeque dos anos 20 do século XX.

Mas, passada a curiosidade de vermos dois autores franceses consagrados a trabalharem nestes moldes, falemos do resultado final patente neste primeiro volume de “Armazém Central”. Loisel, numa entrevista à revista “Bo Doi” define a história como “uma comédia à Frank Cappra (…) com um ambiente próximo das pinturas de Norman Rockwell”. E, se e termos de ambiente a coisa funciona muito bem, com os autores a traçarem um bem conseguido retrato nostálgico da vida no campo nessa época, a verdade é que, apesar das 76 páginas deste primeiro volume, a história pouco ou nada avança.

Armazém Central: Marie

Sabemos que a jovem viúva Marie Ducharme vai tomar conta sozinha do Armazém Central que era do seu marido, com cujo funeral se inicia a acção, e ficámos a conhecer algumas das maias pitorescas personagens da aldeia, mas pouco mais acontece de relevante neste álbum, com os autores a concentrarem-se sobretudo na descrição do ambiente campestre, e no dia a dia da comunidade de Notre-Dame-des-Lacs, gastando 5 ou 6 páginas com um baile que descamba em cena de pancadaria, e outras tantas páginas com as brincadeiras perigosas dos garotos da aldeia com um bode…

Vamos esperar que no próximo volume, já publicado em França, a intriga evolua, para que “Armazém Central” possa enfim atingir níveis próximos dos anteriores trabalhos de Loisel.

(”Armazém Central 1: Marie”, de Loisel e Tripp, Edições Asa, 80 pags, 14 €)

Artigo escrito por: João Miguel Lameiras

Cyann regressa a casa

Quarta-feira, Agosto 1st, 2007

Com uma ligeira “decalage” de dois meses em relação à edição original francesa, as Edições Asa acabam de publicar “As Cores de Marcade”, quarto volume de “O Ciclo de Cyann”, série de ficção científica com a assinatura inconfundível de François Bourgeon.

Nascido em Paris em 1945, Bourgeon adquiriu merecida fama no mundo da Banda Desenhada graças às séries “Os Passageiros do Vento” e “Os Companheiros do Crepúsculo”, ambas já publicadas em Portugal pela Meribérica. Duas séries de temática histórica que, além do grande rigor histórico e de um domínio perfeito da técnica narrativa, revelavam um desenho de grande sensualidade e realismo e um grande cuidado na construção das personagens, especialmente femininas.

Quando o autor decidiu abandonar a BD de temática histórica para se lançar no campo traiçoeiro, mas pleno de potencialidades, da Ficção Cientifica, com “O ciclo de Cyann” assumiu um grande desafio, que ainda não conseguiu vencer totalmente. Como não é fácil criar, a partir do nada, um universo complexo e coerente, Bourgeon solicitou o apoio de Claude Lacroix, especialista em universos paradoxais e narrativas de ficção cientifica, para juntos criarem o mundo de Cyann.

Ciclo de Cyann - tomo 4

A colaboração da dupla resultou num processo complexo e demorado, com uma primeira fase, em que Bourgeon se ocupou da criação do vestuário, dos personagens e dos aspectos tecnológicos, enquanto Lacroix criou os ambientes em que decorre a história, incluindo a fauna, flora e geografia dos vários planetas. A partir dai, Bourgeon encarregou-se da planificação, diálogos, desenhos e cor, da história concebida por ambos.

Só que o resultado final, os álbuns propriamente ditos, não tem conseguido estar à altura das ambições da dupla, nem no esforço investido na sua concretização… Talvez porque, em se tratando de um universo novo, no qual o leitor ainda não entrou completamente, falta-lhe todo um sistema de referências habitual, o que dificulta a sua adesão imediata a uma série indiscutivelmente bem feita, mas a que falta o golpe de génio a que Bourgeon nos habituou.

Depois de uma paragem de quase uma década entre o segundo e o terceiro volumes, motivada por complexas disputas judiciais entre os autores e a editora Casterman, a série mudou de editora e regressou em 2005 com “Aieia de Aldaal” (ver “Diário As Beiras”de 25/02/2006), um álbum de transição, que pouco adianta em termos de evolução da história que, sabemo-lo agora, está prevista para cinco volumes.

Em “As Cores de Marcade”, publicado menos de dois anos depois do álbum anterior, há uma evidente preocupação de recuperar o tempo perdido e fazer avançar a história, com resultados que, não sendo entusiasmantes, são claramente superiores aos conseguidos com “Aieia de Aldaal”.

Ciclo de Cyann - tomo 4

Não só o mundo de Marcade, em que a simples troca de palavras entre duas pessoas implica uma transacção comercial e um elaborado código de cores permite saber a capacidade económica de cada um, é muito mais interessante do que o planeta Aldaal do álbum anterior, como ainda por cima, a história avança com outra rapidez. Cyann consegue finalmente regressar a Olh para ser confrontada com um paradigma da literatura de ficção científica: quando se viaja no espaço o tempo passa mais lentamente para nós. Assim, a nossa (não muito simpática) heroina descobre que foi dada como morta e a sua linhagem considerada como extinta e que a sua amiga Nacara, agora uma velha, ocupou o seu lugar.

A evolução de Cyann, da adolescente mimada do primeiro álbum para a mulher amadurecida pelas dificuldades da vida, conclui-se no quinto volume, ultimo da série. Mas para o ler ainda vamos ter que esperar alguns anos, pois o próprio Bourgeon disse, numa entrevista à revista Bo Doi que só voltará a Cyann depois de acabar o álbum a solo em que trabalha agora, em que volta a abordar uma época histórica concreta.

Esperemos que o aguardado regresso ao passado de François Bourgeon signifique também o regresso aos tempos gloriosos de “Os Passageiros do Vento” e dos “Companheiros do Crepúsculo”, verdadeiras obras-primas que ajudaram a cimentar o seu estatuto como um nome maior da BD europeia.

(O Ciclo de Cyann 4: As Cores de Marcade”, de François Bourgeon e Claude Lacroix, Edições Asa, 72 pags, 15,75 €)

Artigo escrito por: João Miguel Lameiras
(publicado originalmente em 28/07/2007)

Corto Maltese nasceu há 40 anos

Domingo, Julho 22nd, 2007

Fez esta quarta-feira, 10 de Julho, precisamente 40 anos que, nas páginas de “A Balada do Mar Salgado“, história cuja publicação se inicia no primeiro número da revista “Sgt. Kirk”, datado de 10 Julho de 1967, nasce Corto Maltese, o marinheiro romântico criado por Hugo Pratt. A  Portugal essa história chegou só em 1981, nas páginas da revista “Tintin”, que começou a publicar a “Balada…”, sem o menor destaque, a 10 de Janeiro, concedendo-lhe a capa da revista, apenas 3 meses e 9 números depois.

Corto Maltese - Balada do Mar Salgado

Tudo começou no mar. É das águas do Oceano Pacífico, que é ele próprio o narrador da história, que surge pela primeira vez Corto Maltese, esse cavalheiro da fortuna e “pirata simpático” (como o definirá o Tenente Slütter), então náufrago forçado preso a uma jangada, e ainda mero figurante de uma aventura épica que marcará para sempre a BD europeia.

O marinheiro de Malta que traçou o seu próprio destino é aqui apenas mais um personagem de uma extraordinária galeria de actores secundários. O pragmatismo da sua actuação e a ironia e o aparente distanciamento com que disfarça a sua costela sentimental tornam-no uma personagem credível, mas menos marcante do que, por exemplo, o Tenente Slütter, herói tipicamente romântico, apanhado entre as exigências da sua missão e o rigor do seu código de honra, que acabará vítima da lógica fria dos exércitos em guerra. E há ainda o cruel Raspoutine, um louco homicida com o desejo patético de que gostem dele; a bela Pandora; Crânio, dividido entre o desejo de independência do seu povo e a fidelidade ao Monge; o misterioso Monge, que na sua ilha Escondida expia a dor de um amor trágico; o jovem Maori Tarao, legítimo herdeiro de uma raça de navegantes que em grandes canoas cruzaram todo o Pacífico, do Thaity à Nova Zelândia… Personagens inesquecíveis de uma saga épica mas plena de humanidade, que mais do que uma simples balada é um verdadeiro hino à aventura.

Assim, o principal tema desta história sem heróis definidos, reunindo um conjunto diverso de personagens com histórias próprias que a I Guerra Mundial colocou numa conjuntura que as ultrapassa, talvez seja o doloroso processo de passagem à idade adulta de Cain e Pandora Groovesnore, os dois jovens que a força do destino arrasta para uma aventura que nunca esquecerão.

Embora nesta aventura (como no resto da obra de Pratt) se misturem as mais variadas influências, desde as histórias de Franco Caprioli (clássico da BD italiana que influenciou também Milo Manara) aos romances de Stevenson, Conrad, Melville e London, e a filmes como “Revolta na Bounty”, Pratt confessa que a obra que mais o influenciou na criação da “Balada…” foi “A Lagoa Azul”, romance de Vere Stackpoole que deu origem a um filme indigente protagonizado por Brooke Shields, o que constitui mais uma prova do grande talento de Hugo Pratt, que lhe permitiu superar claramente a obra em que se inspirou.

Corto Maltese - Balada do Mar Salgado

Tal como Salgari, Pratt situa a acção num Pacífico imaginado, de que o autor veneziano só conhecia o que se avista da costa chilena. Este mar salgado nasce das páginas dos livros dos autores já citados e de muitos outros, como Homero e Coleridge, cuja “Rime of the Ancient Mariner” Cain lê ao longo da história. Talvez seja por isso que, como salienta Umberto Eco no prefácio à edição a cores do álbum, os personagens, apesar dos inúmeros mapas que possuem, andam perdidos num mar de sonhos e apenas Tarao, o jovem Maori que tem como portulanos as estrelas e um tubarão, consegue chegar onde pretende. Neste mar de papel, a magia do autor veneziano faz com que a geografia e o sonho se confundam. Quem sabe se a porta para os mares do Sul não se encontra algures num qualquer recanto de Veneza, pois é uma gôndola que ornamenta a bandeira do misterioso Monge, do mesmo modo que os indígenas polinésios falam um dialecto veneziano…

Embora percorram os quatro cantos do mundo, tanto Pratt como Corto depois de muitas viagens acabarão por regressar ao Pacífico, fechando assim um ciclo que leva Corto, que nasceu das águas, de volta ao mar, onde se junta ao seu criador. J. E. Cirlot, no seu “Diccionário de Símbolos”, refere-se ao mar como símbolo do carácter circular da ligação entre a vida e a morte. As águas dos oceanos são vistas não apenas como fonte da vida, mas também como o seu culminar. “Voltar ao mar é voltar à mãe, isto é, morrer”. Uma interpretação simbólica já utilizada por Pratt no álbum dedicado a Saint-Exupéry, em que a última vinheta, feita de mar e céu, é utilizada para representar de forma elíptica a morte do escritor. Também a vida de Corto se fecha num ciclo, com o personagem a voltar pela última vez ao Pacífico em “Mü”, a última história do marinheiro maltês desenhada por Pratt.

E se Corto irá, tudo indica, voltar pela mão de outros autores, já em 2008 ou 2009, o verdadeiro marinheiro maltês vive apenas nos livros de Pratt. A começar pela “Balada do Mar Salgado“, que podemos encontrar em português na versão a cores da Meribérica, ou, de preferência, na magnífica edição a preto e branco que a Casterman acaba de lançar para comemorar condignamente os 40 anos de aventuras de Corto Maltese.

Artigo escrito por: João Miguel Lameiras
(publicado originalmente no Diário As Beiras em 14/07/2007)

Lone Wolf and Cub

Domingo, Julho 15th, 2007

Género especificamente japonês, as histórias de samurais podem ser consideradas como o equivalente japonês do Western americano. Uma comparação que está longe de ser desajustada, se nos lembrarmos que na origem de westerns clássicos como Os Sete Magníficos de John Sturges, ou Por um Punhado de Dolares de Sergio Leone, estão Os Sete Samurais e Yojimbo, dois filmes de samurais realizados pelo mestre Akira Kurosawa.

Mas, ao contrário do Western, cuja transposição para a BD foi feita com resultados muito mais interessantes na França do que no seu país de origem, e não obstante algumas (raras) excepções, como o Usagi Yojimbo de Stan Sakai, ou o Kogaratsu de Michetz, é no Japão que encontramos as grandes séries de samurais.

Lone Wolf and Cub

Kozure Okami
, de Goseki Kojima e Kasuo Koike é uma dessas séries. Digna herdeira de uma tradição que atingiu o seu ponto mais alto com a obra de Sampei Shirato (Ninja Bugeicho e Kamui), autor que renovou um género quase moribundo desde o fim da 2ª Guerra Mundial, dirigindo-o para um público mais adulto, a série de Kojima e Koike, para além do estrondoso sucesso que conheceu no Japão, foi também o primeiro manga a ser editado nos Estados Unidos em formato comic book.

Tendo começado a ser publicadas em 1970, nas páginas da revista Manga Action, as aventuras de Ito Ogami, ex-executor oficial do Shogun, obrigado a vaguear pelo Japão como assassino de aluguer, acompanhado pelo seu filho, Daigoro, vão durar até 1976, enchendo 28 volumes de cerca de 300 páginas cada. Uma longa e violenta saga de um homem que abandonou tudo em busca de vingança do clã Yagyu, responsável pela sua queda e pela morte da sua mulher, contada em episódios autónomos relativamente curtos (entre 20 e 50 páginas) que nos vão gradualmente dando a conhecer algo mais do passado e personalidade de Ito Ogami, que com o seu filho Daigoro, escolheu a estrada do inferno, tornando-se um lobo solitário. Lone Wolf and Cub (o lobo solitário e a sua cria) é precisamente o título que foi dado à série no Ocidente, e que enfatiza a presença do pequeno Daigoro, um bébé com a força de vontade e a disciplina de um samurai adulto, que constitui o contraponto humano a uma história extremamente violenta, onde o sangue corre a jorros e os combates são tão rápidos como brutais.

O fabuloso sucesso desta longuíssima BD histórica (jidaimono) de quase 8.000 páginas, ambientada no Japão feudal do século XIX, e desenhada num estilo realista e extremamente fluído por Goseki Kojima, levou inevitavelmente à sua passagem para outros suportes, desde uma série de televisão, que transformou o mercenário Ito Ogami num justiceiro bem intencionado, até um conjunto de 6 longas metragens, que constituem a mais fiel adaptação cinematográfica de uma BD que alguma vez vi. Realizada entre 1972 e 1975, esta série de filmes, que contou com argumento do próprio Kazuo Koike, acompanhou a publicação do manga que adapta directamente, e fê-lo de uma forma tão exacta que dá ideia que o próprio manga deve ter funcionado como story-board.

Filmados numa época em que o sucesso do Western Spaguetti estava ainda bem fresco (Aconteceu no Oeste de Leone, é de 1969) estes filmes revelam claramente essa filiação estética, nos grandes planos do olhar dos personagens, no tratamento operático das cenas que antecedem os rápidos combates, e até na utilização da música. Kenji Misumi, o realizador dos 3 primeiros filmes era um admirador confesso de Kurosawa e de Leone, e essas influências notam-se nestes filmes que misturam uma violência extrema, com momentos de grande calmaria e beleza formal, quase poética.

Lone Wolf and Cub

Esses filmes chegariam ao Ocidente em 1982, graças aos produtores David Weisman e Robert Houston, numa versão truncada, chamada Shogun Assassin (que chegou a aparecer nos videoclubes portugueses) que mais não era que uma montagem sem grande coerência dos dois primeiros filmes da série, dobrada em inglês e narrada em voz off pelo pequeno Daigoro. Se este filme inspirou John Carpenter para alguns dos personagens de As Aventuras de Jack Burton, não foi suficiente para motivar a edição de Kozure Okami, o manga que está na origem de tudo.

Para isso foi necessário o empenho de Frank Miller, que descobriu a série na edição original japonesa e nela se inspirou largamente para o seu Ronin. Sendo esta uma das suas séries favoritas, Miller aproveitou a exposição pública conseguida com o sucesso de Dark Knight para divulgar a série e convencer a First Comics a editá-la nos EUA. Para essa edição em formato comic-book iniciada em 1987, Miller assegurou as capas e a introdução dos doze primeiros números, seguindo-se-lhe Bill Sienkiewicz, Matt Wagner e Michael Ploog. Mas devido aos problemas que levaram ao fecho da editora, a edição americana acabaria em 1991, no nº 44, deixando por publicar quase dois terços da série.

Desde então Lone Wolf and Cub não passava de um clássico desconhecido para as novas gerações de leitores, que descobriram os manga com Akira ou o Dragon Ball , uma grave lacuna que esta edição da Dark Horse veio remediar. Uma excelente edição, rigorosa e integral, num formato (minúsculo, mas que funciona muito bem, mal nos habituemos a ele) igual ao da edição japonesa, que dá a conhecer alguns episódios que tinham ficado de fora da edição da First devido ao seu conteúdo erótico, e que está a ter o devido sucesso. Um sucesso mais que merecido, pois para além de ser um marco na história do manga, Lone Wolf and Cub é claramente uma das grandes BDs do século XX.

Lone Wolf and Cub, Argumento de Kasuo Koike e desenhos de Goseki Kojima . Dark Horse, 296 pp., 9,95 Euros.

Artigo escrito por: João Miguel Lameiras
publicado inicialmente na Revista Quadrado n.3 (III série).

Olhares

Quarta-feira, Julho 11th, 2007

Como é que se vê , se interpreta, se sente, o Outro? Um problema para a Antropologia, Sociologia, Psicologia, não tanto para a banda desenhada, dir-se-á. Mas como elemento narrativo (e, consequentemente, como ferramenta posterior de análise) poucos serão mais estimulantes; logo arriscados. Duas propostas díspares de autores francófonos demonstram isso mesmo. Em ambas há um certo tipo de olhar sobre o Terceiro Mundo, uma espécie de Antropologia de intervenção em BD, focada sobre a Nicarágua somozista ou o Brasil dos meninos de rua. Desse ponto de vista são obras muito interessantes, num mercado minguante.

Muchacho - Tomo 1

Trabalho em dois volumes Muchacho (ASA) é um projecto de Emmanuel Lepage, autor cujo talento gráfico era notório num excelente livro que passou quase despercebido, Terra Sem Mal (argumento de Anne Sibran, edição VitaminaBD). Aqui volta a juntar a luxúria dos espaços com a delicadeza das figuras humanas, um traço “bonito” que torna o contraste com a dureza do relato tanto mais vibrante. Muchacho resulta de um trabalho preparatório patente, não só na pesquisa histórica, mas na caracterização de personagens e situações. No primeiro caso há a tentativa clara de evitar que o leitor tipifique de imediato os intervenientes. O problema é que todos têm elementos facilmente reconhecíveis, ou seja, disfarçar esteriótipos parece mais viável do que evitá-los logo à partida. No segundo, o retrato político da Nicarágua não é, pelo menos neste primeiro volume, forçado e pedagógico, surge com o desenrolar da narrativa, com a história e sobretudo com a evolução do protagonista, com a sua capacidade para interpretar aquilo que o rodeia.

Com um nome profético, parte do percurso de Gabriel adivinha-se nas suas origens. Jovem filho de proprietários ligados à ditadura, a sensibilidade artística (e a sexualidade) tê-lo-á levado ao desterro familiar, primeiro no Seminário, mais tarde numa paróquia perdida na selva. Onde toma contacto com os efeitos práticos da ditadura de Somoza, com a influência dos EUA no regime, com a Teologia da Libertação, com a guerrilha Sandinista. Aspectos a trabalhar no segundo volume, em paralelo com a (para já apenas adivinhada) perda de ingenuidade do protagonista. Nesse aspecto Muchacho é também um excelente exemplo de como os modelos tradicionais da banda desenhada podem ser limitados para potenciais novos leitores, quer na forma franco-belga de álbuns, quer nas revistas individuais de “comics” americanos. Sobretudo quando não há, como sucede em Portugal, garantias firmes de continuidade. Cada história demora tempo, e, por mais interesse que gere, a leitura deste primeiro volume sabe a preliminares, a pouco. Fica-se à espera da conclusão.

Wolverine Saudade

Wolverine: Saudade (BD Mania) é um objecto semelhante no modo como se posiciona perante a realidade, mas diferente a vários outros níveis. Num certo sentido os defeitos de Muchacho são as suas virtudes; e vice-versa. História auto-conclusiva, com menos páginas e protagonizada por um (super)herói com características vincadas, a margem de manobra é aqui menor. Mas há boas tentativas para a maximizar, para evitar que esta não seja apenas mais uma história de Wolverine. A ideia é mesmo essa: no projecto Marvel Transatlântico personagens da editora Marvel são trabalhadas por olhares europeus, no caso franceses. É certo que os “comics” fizeram outras “importações” de talento europeu, nomeadamente de argumentistas britânicos (Alan Moore, Neil Gaiman, Grant Morrison, Garth Ennis, Warren Ellis…). Só que, nesse caso, a proximidade cultural (em termos de BD) levou a que fossem importadas sobretudo referências narrativo-literárias, uma revolução por dentro do modelo existente, mantendo-o reconhecível. Aqui pretende-se algo distinto, trazer algo da BD franco-belga de aventuras, com o uso de planificações que procuram equilibrar o fluxo narrativo com “splash pages” mais espectaculares; bem como uma componente “engagé” que raras vezes se vê nos “comics” de superheróis, pelo menos com um mínimo de complexidade. Isto enquanto os instantes de extrema violência garantem que Wolverine não sai mais “macio” do exercício. Se o desenho de Philippe Buchet é arejado, excepto quando o movimento frenético dos combates faz descobrir tiques de grotesco, o argumento de Jean-David Morvan procura (talvez com demasiado afinco) a diferença, mas torna-se digno de nota por isso mesmo.

Tomando inspiração de obras como Cidade de Deus (e, antes, Pixote) o Brasil de Wolverine: Saudade é o Brasil das favelas e meninos de rua. Os super-poderes são associados ao misticismo afro-brasileiro, e vistos, não com o “angst” típico na Marvel, mas como possíveis instrumentos de justiça e transcendência sociais. E o mal não é corporizado por super-vilões caricatos, mas pela exploração, pela globalização selvagem, com os seus Esquadrões da Morte e outros mercenários e oportunistas. Uma mescla de aventura e mensagem que Morvan faz também, e com maior sucesso, numa boa e surpreendente aventura de Spirou: O homem que não queria morrer (desenhos de Munuera, edição recente Público/ASA). Percebe-se pois esta aposta da nova editora BD Mania (uma evolução natural da loja homónima) numa obra que procura fazer pontes entre géneros. Só que se corre sempre o risco de alienar ambos os públicos que se pretendia unir. Os leitores regulares de BD franco-belga podem afastar-se pelo uso de super-heróis, por uma história demasiado rápida e, apesar de tudo, maniqueísta, apenas com maniqueísmos diferentes dos habituais. A este nível ninguém confundirá Wolverine: Saudade com Muchacho (o mesmo não se aplica a O homem que não queria morrer). Já os leitores de “comics” desconfiarão do formato, preço, e do facto de esta ser, lá está, uma história atípica de Wolverine. Se tal acontecer é pena, porque a ideia de diálogo entre formas de pensar e viver a BD pode gerar polinizações cruzadas muito interessantes.

Muchacho, Volume 1. Argumento e desenhos de Emmanuel Lepage. ASA, 72 pp., 15,50 Euros.
Wolverine: Saudade. Argumento de Jean-David Morvan, desenhos de Philippe Buchet. BD Mania, 48 pp., 13,50 Euros.

Artigo escrito por: João Ramalho Santos

O Regresso de Hellboy

Segunda-feira, Julho 9th, 2007

No preciso momento em que Guillermo Del Toro inicia em Praga as filmagens do segundo filme da série “Hellboy”, o diabólico herói de Mike Mignola regressa às livrarias portuguesas através da Devir, que lança “A Mão Direita do Apocalipse”, o 4º volume da série, ao mesmo tempo que distribui os três primeiros volumes, agrupados num pack, a um preço bastante mais agradável. Um dos maiores nomes dos comics americanos, Mignola é senhor de uma carreira de duas décadas, que não se limita apenas à BD.

hellboy

Tendo-se iniciado profissionalmente na Marvel nos inícios da década de 80, a fama de Mignola consolidar-se-ia já durante os anos 90, graças à magnífica adaptação em BD do filme “Drácula”, de Francis Ford Coppola e, principalmente a “Gotham by Gaslight”, uma história passada no século XIX em que Batman enfrenta Jack, o Estripador, numa Gotham City vitoriana submersa pelas sombras e pelo nevoeiro. Esse peculiar uso das sombras como uma forma de criar ambiente, é uma das características mais identificáveis da obra de Mignola. Como ele próprio refere: “a princípio utilizava as sombras para tapar o que não sabia desenhar, mas aos poucos isso converteu-se numa forma de dar outra solidez às figuras.” Figuras cuja corporalidade remete para o trabalho de Jack Kirby, o mítico desenhador da época de ouro da Marvel, responsável pela criação da maioria dos personagens da Marvel. Hellboy, a sua criação mais representativa, nasceu ao mesmo tempo que a linha “Legend”, um selo que acolhia os projectos independentes de uma série de autores, como Frank Miller, Mike Allred e John Byrne, publicados pela Dark Horse.

Tendo necessidade de criar um personagem que permitisse contar as histórias que lhe interessavam, Hellboy surgiu naturalmente, graças ao prazer que Mignola experimenta ao desenhá-lo. Tal como sucede com o “Sandman” de Neil Gaiman, também “Hellboy” (que Mignola define como próximo de Sandman, mas com bastante mais acção) possibilita ao seu autor as mais variadas incursões pelos inúmeros cambiantes do terror e do fantástico, das mais diversas lendas europeias aos monstros do cinema de série B. Membro do BPRD (Bureau for Paranormal Research and Defense), uma organização governamental tipo X-Files, Hellboy dedica-se a investigar fenómenos paranormais, o que faz com a fleuma de um funcionário público, sendo precisamente esse comportamento contrastante com a sua imagem demoníaca, que dá uma pitada de humor à série e ajuda à identificação do leitor com o herói e os seus estranhos companheiros de equipa, com destaque para o misterioso homem-peixe Abe Sapien.

HellBoy

Já em termos gráficos, Mignola dá livre curso ao seu fascínio pela arquitectura gótica e pelas ruínas antigas, enchendo as páginas com ruínas cobertas de heras, baixo relevos exóticos e estátuas funerárias, elementos que surgem realçados por um jogo de sombras digno do expressionismo cinematográfico alemão, de filmes como “Nosferatu”, ou “O Gabinete do Dr. Caligari”. Excelente em termos de criação de ambientes, o seu traço estilizado revela-se também extremamente eficaz em termos narrativos. Este quarto volume da série reúne várias histórias curtas de dimensão variável, que abraçam diferentes fases da vida da personagem e que vão do simples divertimento de “Panquecas”, ao brilhantismo narrativo de “A Natureza do Monstro” e “Cabeças”, a história que escolhi para ilustrar este artigo, em que Hellboy enfrenta demónios japoneses. Mas a “piece de resistance” deste livro são as histórias “A Mão Direita do Apocalipse” e “Uma Caixa Cheia de Mal”, que desenvolvem um aspecto importante da mitologia de Hellboy, a sua mão de pedra. Obra absolutamente recomendável, até porque ver o Hellboy desenhado por Mignola é um prazer cada vez mais raro, esta edição resulta da associação entre a editora dinamarquesa g-Floy Studio e a portuguesa Devir, à semelhança do que já tinha sucedido com o “Orquídea Negra”, de Neil Gaiman e Dave McKean. E, para aqueles que só agora descobrirem o Hellboy, nada melhor que o pack que a Devir lançou, que permite comprar “Semente de Destruição”, “O Caixão Acorrentado” e “Despertar o Demónio” os três primeiros volumes da série, por menos de 20 euros.

(“Hellboy: A Mão Direita do Apocalipse”, de Mike Mignola, Edições Devir/G-Floy Studios, 144 pags, 14,99 €
“Pack Hellboy”, de Mike Mignola, Edições Devir, 128, 144 e 168 pags, 19,99 €)

Artigo escrito por: João Miguel Lameiras
(publicado originalmente no Diário As Beiras em 23/06/2007)

Bem-vindos!

Quarta-feira, Julho 4th, 2007

Bem-vindos ao blog da Livraria Dr. Kartoon!
Um espaço para reflexões um pouco mais extensas sobre alguns livros que temos na loja. Livros que nos impressionaram e cuja excelência queremos partilhar convosco. Também iremos ter aqui os textos que os membros desta equipa publicam regularmente na imprensa.
Ocasionalmente, vamos tentar também contar com textos de alguns bloguistas convidados e com uma ou outra surpresa. Mas para já o blog aqui está à espera das vossas visitas regulares, pois tentaremos actualizá-lo pelo menos uma vez por semana.

Saudações bedéfilas
Andróides, lda.