Archive for the ‘Asa’ Category

Os melhores de 2007 - Parte I

Sábado, Dezembro 29th, 2007

Estamos em época de balanço do ano que está a terminar e como é comum nesta altura chegam os tops disto e daquilo. A Livraria Dr. Kartoon também adere e elege os melhores de 2007. João Miguel Lameiras é o primeiro a deixar aqui a sua lista dos dez melhores livros lidos em 2007.

01. Alice in Sunderland, de Bryan Talbot
02. Fun Home, de Allison Bechdel
03. Monster, de Naoki Urusawa
04. Captain America, de Ed Brubaker
05. Zoo, de Frank Bonifay
06. Capote in Kansas, de Ande Parks
07. The Complete Peanuts, de Charles M. Shultz
08. The Waliking Dead, de Robert Kirkman
09. Ou le regard ne porte pas, de George Abolin
10. Muchacho, de Lepage

O Regresso dos Portugueses I: Evereste e Obrigada, Patrão

Quinta-feira, Novembro 22nd, 2007

Tradicionalmente, as editoras nacionais de Banda Desenhada tendem a concentrar o lançamento das novidades de autores portugueses no Festival da Amadora. As razões são simples e passam, não só, pela maior visibilidade que o Festival dá a esses títulos, possibilitando (mais ou menos) animadas sessões de autógrafos com os autores, mas também pela proximidade da época de Natal, período do ano em que se vendem mais livros.

E, este ano, a colheita de novidades de autores portugueses lançadas durante o festival da Amadora, foi a mais farta dos últimos tempos, com destaque para as Edições Asa, com quatro novidades de autores nacionais. Assim, e durante as próximas três semanas, este espaço será ocupado com as novidades “made in Portugal” que vieram animar a “reentrée bedéfila”.

Obrigado, Patrão
Para começar, temos dois títulos que, em bom rigor, não são inéditos, mas que através da Asa chegam só agora ao grande público numa edição em português. São eles “Obrigada, Patrão” de Rui Lacas e “Evereste”, de Ricardo Cabral.

“Obrigada, Patrão” é um bom exemplo de um caminho a seguir pelos autores nacionais que querem viver da BD, pois o álbum saiu inicialmente em edição francesa em Setembro de 2006, com o título “Merci Patron” e foi a Asa a comprar os direitos para a edição portuguesa, que lançou um ano depois. Uma internacionalização que se deve à iniciativa do autor, Rui Lacas, que foi a Angoulême e conseguiu vender o seu projecto a uma editora francesa (neste caso, a editora Suiça, Paquet), que lhe deu condições de trabalho que não estão ao alcance das editoras nacionais.

História dramática, ambientada no litoral alentejano, de uma criança que se vê obrigada a crescer demasiado depressa e de uma mulher que soube esperar anos a fio pela sua vingança, “Obrigada, Patrão” foi bem recebido em França, tendo mesmo ganho o prémio de Melhor Argumento no Festival de Les Moulins e abriu a Rui Lacas as portas do mercado francês, para onde continua a trabalhar preferencialmente. A edição portuguesa tem uma nova capa, menos chamativa, mas mais adequada ao conteúdo do livro (que é uma história extremamente dura e próxima de um registo neo-realista e não uma história infantil, como a capa da edição francesa sugere…) e um formato ligeiramente mais reduzido, que favorece o traço solto de Lacas, o que mostra que a editora e o autor prepararam com cuidado a versão nacional, cujo sucesso se deseja.

Evereste
Quanto a “Evereste” é o relato da trágica expedição ao Monte Evereste em que o alpinista João Garcia perdeu os dedos da mão e parte do nariz e viu morrer o seu colega e amigo Pascal Debrouwer, transposto para a Banda Desenhada por Ricardo Cabral, a partir do relato de João Garcia, que narra a história na primeira pessoa.

Lançado inicialmente numa edição sem distribuição comercial, da Junta de Freguesia dos Olivais, que foi distribuída pelas escolas da grande Lisboa, as potencialidades comerciais de “Evereste” eram evidentes, até pela popularidade e impacto mediático da figura de João Garcia, o nosso mais famoso alpinista de sempre. Daí que esta edição da Asa surja com toda a naturalidade, ainda mais por ser a editora dos livros do próprio João Garcia.

Obra de estreia em álbum de Ricardo Cabral, “Evereste” revela um grande desenhador e um excelente colorista, que combina de forma harmoniosa as influências franco-belgas e japonesas, com destaque evidente para o trabalho de Jiro Taniguchi, o autor de “Le Sommet des Dieux”, livro que me veio imediatamente à memória ao ler este “Evereste”.

Para a edição da Asa, Ricardo Cabral acrescentou uma mão cheia de páginas, e alterou outra dezena, criando uma nova versão mais consistente e fluida em termos narrativos, sem o final abrupto da primeira edição, para além de ter criado uma nova capa, igualmente bonita mas bastante mais eficaz. Só é pena que todo este trabalho do autor para melhorar o livro tenha sido estragado por problemas de impressão que tornam algumas paginais praticamente ilegíveis, de tão escuras…

Resta esperar que o (esperado) sucesso do álbum possibilite uma segunda edição da Asa, em que esses (graves) problemas gráficos sejam finalmente resolvidos. O belo trabalho de Ricardo Cabral e a coragem de João Garcia, bem o justificam.


(”Evereste”, de Ricardo Cabral (a partir do relato de João Garcia), Edições Asa, 48 pags, 10 €)
“Obrigada, Patrão”, de Rui Lacas, Edições Asa, 92 pags, 15 €)

Artigo escrito por: João Miguel Lameiras

Asterix vezes 6

Segunda-feira, Setembro 10th, 2007

De uma assentada, as Edições Asa acabam de lançar nas livrarias mais seis álbuns da série “Asterix”, concluindo assim a primeira edição com chancela desta editora do grande clássico da BD europeia, criado por Uderzo e Gascinny. E pode dizer-se que a reedição encerra com chave de ouro, pois os títulos agora editados estão entre os melhores da série, mostrando dois criadores no auge das suas faculdades e em perfeita e absoluta sintonia.

Astérix: O domínio dos Deuses

Clássico incontornável da BD franco-belga e uma das séries mais populares de todos os tempos, as aventuras do pequeno gaulês nascido em 1969, nas páginas da revista “Pilote” continuam a cativar os leitores de todo o mundo, mesmo que a série tenha perdido muito da sua magia, com a morte do argumentista, Renê Goscinny, em 1977. Mas se o desaparecimento de Goscinny afectou, e muito, a qualidade das histórias, agora escritas e desenhadas por Uderzo, o mesmo não se passou a nível comercial, com Uderzo a revelar-se um hábil gestor da imagem e popularidade do pequeno herói gaulês. E a verdade é que, de uma excelente Banda Desenhada, passível de diversos níveis de leitura, Astérix tornou-se actualmente numa gigantesca máquina comercial a que falta alma, ultimamente alimentada por trabalhos francamente maus, como o inenarrável “O Céu Cai-lhe em Cima da Cabeça”…

Também por isso, é um prazer descobrir (ou redescobrir) títulos como “Asterix na Córsega”(talvez o meu álbum favorito de toda a série), Astérix Legionário”, “O Domínio dos Deuses”, ou “Óbelix & Companhia”. Obras clássicas em que o traço inconfundível de Uderzo está ao serviço de uma história interessante e bem contada, repleta de gags divertidíssimos e trocadilhos deliciosos, muitos deles, infelizmente, praticamente intraduzíveis.

O que nos leva justamente ao aspecto distintivo desta edição da Asa, em relação à anterior da Meribérica, e que é a nova tradução. Uma diferente e discutível tradução, que pretende fazer melhor justiça aos frequentes trocadilhos em que Goscinny era pródigo, mas que não é isenta de polémica ao alterar os nomes das personagens que conhecemos desde sempre, como o bardo Assurancetourix que se passa a chamar Cacofonix, ou Abraracourcix, o chefe da Aldeia, que se transformou em Matasetix na nova versão das Edições Asa.

Astérix: Obelix e Companhia

O argumento, apresentado pela responsável editorial da Asa, de que a maioria dos nomes das personagens não faz sentido em português, sendo por isso arranjar uma alternativa que faça sentido na nossa língua, não deixa de ser legítimo. Mas a verdade é que, para quem, como eu, se habituou aos nomes originais das personagens, o aportuguesamento dos nomes ainda causa uma (desagradável) estranheza.

Mas isso é um pormenor, que não nos deve fazer esquecer o dado mais importante. E esse dado é o facto da totalidade da série estar novamente disponível em português, para que as novas gerações de leitores, traumatizadas com os títulos mais recentes, possam descobrir o verdadeiro “Asterix” nas suas melhores e mais divertidas aventuras.

(“Astérix: Os Louros de César”, de Uderzo e Goscinny, Edições Asa, 48 pags, 12,0 €
“Astérix: O Legionário”, de Uderzo e Goscinny, Edições Asa, 48 pags, 12,0 €
“Astérix: O Domínio dos Deuses”, de Uderzo e Goscinny, Edições Asa, 48 pags, 12,0 €
“Astérix: O Presente de César”, de Uderzo e Goscinny, Edições Asa, 48 pags, 12,0 €
(“Astérix: Na Córsega”, de Uderzo e Goscinny, Edições Asa, 48 pags, 12,0 €
(“Astérix: Obelix e Companhia”, de Uderzo e Goscinny, Edições Asa, 48 pags, 12,0 €)

Artigo escrito por: João Miguel Lameiras